O projeto
Quem Somos
Mestres da obra é uma OSCIP (organização da sociedade civil de interesse público), que há mais de uma década contribui para o desenvolvimento humano dos trabalhadores da construção civil e indústria nas questões relacionadas a educação, cultura e sustentabilidade. Como atividade central, implantamos ateliês de arte no próprio local de trabalho, transformando-os em espaços de conhecimento onde o “educar” converte-se em troca e responsabilidade coletiva fortalecendo a relação entre as pessoas e a cidade.
A Ideia
A idéia surge em 1999. Era relativamente simples e consistia em, por meio de um processo de educação em canteiros de obras, realizar com os operários a transformação dos resíduos de construção em obras de arte. Surgiu então como ideia, em janeiro de 1999, o Projeto Mestres da Obra, resultado da união e experiência de dois jovens, Arthur Zobaran Pugliese, arquiteto especialista em gestão de programas sociais, e Daniel Machado Cywinski, administrador de empresas mestre em saúde pública.

O projeto piloto começou em 2001 e foi implantado com o mínimo de apoio em um canteiro de obras da cidade de Mauá, no Grande ABC paulista. Participaram desta fase três trabalhadores, dentro do horário de trabalho, meia hora por semana. Na prática, essa meia hora se tornou duas, pois os operários permaneciam nas atividades, espontaneamente, após o expediente. Este momento foi fundamental para a constituição dos elementos educacionais que iriam compor a prática.
Como acontece
O projeto acontece em canteiros de obras e indústria, por meio da implantação de ateliês de arte (Ateliê Escola) montados especialmente para o programa. Nestes espaços ocorre uma relação intensa com o aprendizado, com a construção e produção de conhecimento, e de auto-conhecimento, visando a melhora da qualidade de vida dos participantes. Sob orientação de uma metodologia sempre aplicada por educadores capacitados especialmente para a ação, os operários utilizamos resíduos encontrados no canteiro de obras para a produção de peças de arte e “design”, recuperando assim a condição de matéria prima destes materiais.
Na prática dentro dos ateliês, os materiais que até então eram restos, tornam-se matéria prima, e os resultados finais expressam suas próprias invenções, referências culturais, estéticas e subjetivações. Isto faz do ateliê um espaço privilegiado de fortalecimento da inteligência e saúde do trabalhador. No processo de transmissão de valores e referências da arte, no processo de influenciar a percepção, os gestos e os comportamentos dos operários, este trabalho cria espaços de valorização dos saberes e talentos de quem aprende, diminuindo a barreira entre os que "sabem / podem" e os que "não sabem /não podem".
A RELAÇÃO DO PROJETO COM A VIDA COTIDIANA DOS PARTICIPANTES
O Mestres da Obra é visto muitas vezes como uma intervenção momentânea no ritmo de trabalho do cotidiano. Esta intervenção é uma novidade e é percebida por alguns operários como um momento para exercitar algo. A aula, nesse ponto de vista, é um momento para priorizar o uso de inteligências que eles consideram de pouco uso em seus cotidianos. Esse estímulo de outras inteligências é valorizado como algo que depois, no retorno para as atividades cotidianas do canteiro, ajuda a resolver problemas corriqueiros e amplia a capacidade de enxergar soluções. Há muitos relatos de operários referenciando a prática do Mestres da Obra como algo que ajuda a “ter mais idéias”. Isso sugere um aumento da criatividade.

Esses resultados experimentados se apóiam de certa forma nas reflexões de Paulo Freire, no sentido que “enquanto sujeitos desse processo de educação, esses indivíduos refletem criticamente sobre o seu ambiente concreto e sobre suas realidades, tornando-se gradualmente conscientes e comprometidos, tornando-se capazes de intervir e transformar o mundo”.
Conheça em números







PÚBLICO PARTICIPANTE ATÉ 2013 / 6 MIL TRABALHADORES DESDE 2001
  • 97% homens
  • 03% mulheres
  • 1,9% possuem filhos
  • 34,7% são casados
  • 53,7% são solteiros
  • 11,6% em outros relacionamentos
  • 100% iniciaram a vida escolar
  • 37,7% fizeram o ensino fundamental incompleto
  • 17,4% fizeram o ensino fundamental completo
  • 31,9% não concluiram o ensino medio
  • 13,2% concluíram o ensino médio
  • 26% lêem jornal
  • 14,4% lêem revista
  • 10,1% tem acesso a internet
  • 74,2% possuem celular
  • 63,2% admitem terem usado álcool ou drogas durante o trabalho
  • 76,5% possuem religião
  • 85,5% sonham em voltar para a terra natal
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